Várias pessoas em Maputo disseram-me, quando eu ia para a província de Niassa pela primeira vez, “Niassa é onde Judas perdeu a bota”. Como anglófona pouco religiosa, eu mal sabia quem era o Judas e que ele tinha botas. E que tinha perdido uma.

O que teria sido mais apto, era chamar Niassa a Sibéria ou o Alasca de Moçambique. Isso no sentido de sua distância e isolação mas também por causa dos seus recursos naturais.

Niassa é caracterizado por extenso terreno pouco habitado – é quatro vezes o tamanho de Inglaterra com 1 milhão de habitantes – com populações semi-nomádas, e migrações bastante recentes, mesmo antes das guerras de libertação e “dos primos”.

O século XX para Niassa foi marcado por conflito – um facto pouco conhecido é que batalhas da primeira guerra mundial tiveram lugar na província, quando os ingleses administravam a província como “Companhia“. Falando em comércio maléfico, a provincia também sofreu bastante do comércio de escravos patrocinado por comerciantes árabes da costa. Isto durou até bem no início do século XX. Achei este paper no impacto de comércio de escravos de tempos remotos nas dinâmicas sociais de hoje fascinante, e tem dados do Niassa.

A exploração da província continua até hoje, com a promoção do lugar para agronegócio, plantações de árvores, e mineração. Deixo os pormenores para depois, quando conto as experiências dos camponeses com quem trabalho.

Quanto aos recursos na net sobre Niassa, há muito pouco. O jornal semanal Faísca da província, que recomendo bastante, não tem presença online. Os únicos sites sobre o Niassa são gerenciados pelas entidades que buscam “vender” a província a turistas e investidores.

A melhor introdução é a canção “Niassa”, do grupo musical “Os Massukos”. Deve ser a exportação mais conhecida da província nos últimos anos, liderada por Santos, da ONG “Estamos”.

Até breve!

[Aviso: minha escrita está cheia de erros, mas that’s not the point now, is it?]