Escrevo sem saber – mesmo – quando vou poder publicar. Durante dois dos últimos três dias a província tem ficado sem rede de telecomunicações (linha fixa, móvel, e internet). Hoje foi um “blekout” total (para usar a palavra Brasileira). As únicas novas do mundo de fora vem através de televisão satélite.

 

A rapariga no lugar aonde vou tentar contectar a net disse, “Niassa: estamos no fim do mundo.” (A mesma tinha um toque polifónico no telemóvel de morrer a rir, do Brasil. ‘GEEEEEEeeeenteeee!!’)

Paradoxicalmente, no momento em que a operadora maior de telemóveis consegue transmitir sinal em quase toda a província utilisando paneis solares nos lugares sem electrificação, começam a ter sérios problemas com a própria linha fibraóptica que conduz toda comunicação. Parece que ninguém entende o motivo do corte total, todos dizem que tem a ver com a fibraoptica.

Acabei de ver nas notícias provinciais da TVM que a linha foi cortada entre Mandimba (cidade fronteira com Malaui) e Cuamba, maior cidade do sul da Província. Seria muito fácil roubar a fibraóptica naquela região e vender no Malaui. Ou será que trata de sabotagem, visto que todo o norte da província incluindo a capital ficou e continua sem comunicações?

Cheguei com ilusões de encorajar os meus colegas camponeses a blogar. Mas neste ambiente, não é prioridade. O que torna-se prioridade e mantar comunicação mínima – através de recados escritos, visitas as casas das pessoas, entregue de materiais aos motoristas dos “chapas” ou minibus. Nem posso imaginar o impacto que este corte tem na viabilidade de investimento e negócio aqui.
Confesso que até para mim é difícil motivar-me a blogar dada a sensação de isolação total.

Na tentativa de ser positiva, entretanto, importa dizer que descobri hoje que Niassa tem pelo menos dois blogues. Quando eu tiver mais acesso a internet, partilharei os links.