Estou a voltar para o Niassa pela primeira vez em quase 2 anos. Estou super anciosa re-conhecer a província e ver aos meus colegas do movimento camponês. Nunca pensei que demorava tanto voltar para Lichinga, mas tudo dependia de várias circunstâncias profissionais.

A minha missão agora é contribuir a uma oficina sobre terras comunitárias, e como protegé-las.

Temo que estejamos a viver uma espécie de Conferência de Berlim 2.0 neste canto isolado do continente. Além das plantações industriais de pinheiros e eucalipto dos suecos e noruegueses, a mineração está prestes a tomar conta da província. Desde a minha última visita, ficámos a saber que a companhia brasileira Vale do Rio Doce quer minar carvão no Niassa. Que a província talvez tenha depósitos de urânio e que encheceu de concessões de pesquisa de mineração.

Também vou amanhã para Lichinga sabendo que vai ser a minha última viagem neste cargo, como fiquei farta da cooperação como um sector. (Para quem quiser ler – a minha carta de despedida.) Quero também começar a imaginar outras maneiras de acompanhar e colaborar com os meus amigos do Niassa.