Cheguei em Lichinga no que parece ser dia do gorro. Colegas tão a proteger suas cabeças do frio com gorros, usados num estilo que lembra de líderes guineenses (o melhor associação possível é com Amilcar Cabral, dos mais recentes não comento.) Ouvi dizer que a baixa foi de 6 graus ontem. Julgo isto bastante frio, até para mim e cresci com neve e gelo.

Todos os “figurantes” no meu filme de Lichanga são quase dois anos mais velhos. Há mais cabelos brancos nos bigodes e mais rugas. As meninas são mais mulheres. Pergunto-me se eu também envelheci…?

Notei bastantes novidades superficiais na cidade – cartazes de publicidade para festas – coisa que não vi antes. Duas lojas de moda. Novas placas do “Muncípio de Lichinga” com os nomes das ruas. Como em muitos lugares deste tamanho, nem sabia que as ruas têm nomes. E justamente depois de atropeçar como tempos passados, numa raíz a sair da antiga calçada quebrada, e queixar-me a pensar que as condições da cidade não melhoram, passei por uma equipe fazendo uma nova calçada em frente do hospital.

O antigo governador já foi trocado há anos, e o novo parece mais discreto. Até proibiu funcionários de frequentar os vários bares em ar livre. Mas segundo mais informantes, continua illegal andar na calçada em frente da sua casa.

A cidade também espalhou-se mais para o norte até o cruzamento do aeroporto. A pesar de ser tecnicamente ilegal, é mais que claro que a terra está sendo vendida e comprada. Vai ser interessante entender até que ponto existe mercado para terras periurbanas fora da cidade antiga.

A descoberta de carvão já foi mencionado n vezes em conversas, e vi nas notícias provinciais (agora com reportagens e tudo, em vez duma pessoa agarrada a uma folha lendo em monótono) que concessões de mineração são objecto de oficinas e formações na província.

Amanhã tenho três dias seguidos de visitas a comunidades rurais para levantar mais informação. A chamada a reza começa, e com isso, vou para a Padaria Mária, o lugar mais movimentado nesta hora da cidade.