A província já tem passado longos periodos sem “refrescos” (Coke, Spite e Fanta) devido a demoras logísiticas e o custo de transporte. Porém, Niassa sempre pode contar no “refresco” natural. Julho é estação de mastigar cana, como o “refresco” original – um shot de açucar nas veias. Desgascar a sua pele cor-de-rosa-roxa usando os dentes do ciso e os dentes do lado. As crianças que não tem dentes de ciso suficientes partem a cana por bater com força, até quebrar em peçados mastigáveis.

A frase traduzida de Yao e Makua como “é do dono” parece um pouco redundante. Mas é uma expressão do modo de estar aqui, uma espécie de resignação respeituoso. Tem a ver com relações de poder e o modo como o poder opera aqui. Do que entendi, tem duas faces, no sentido de que se tiveres consciência de como funcionam as coisas podes conseguir o que queres. Mas se és impaciente ou queres tentar disturbar a ordem numa maneira imprudente, estás lixado.

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Aonde vês grupos de árvores juntas a esticar do caipim, é melhor não aproximar. São cemitérios. Grupos de árvores nativas assim são associados com tabus e com o sagrado. Nos exercícios de mapeamento participativo, as pessoas parecem lembrar dos cemitérios logo depois do essencial: estradas, picadas, campos e rios.

N.b. escrevo sem a mínima autoridade. Por favor corrijam-me nos comentários.