Ouvi esta semana de como os bares (ou melhor as barracas) serviam/servem como “governo paralelo” aqui. A ideia de que existe uma governação nocturna, que alimenta-se com cerveja e conversa de bar é bastante forte.

Outra coisa que ouvi foi que afinal aquela polémica discussão na Assembleia Municipal sobre as saias curtas foi provocada por um tema promovido do nível nacional sobre trâfego de crianças e prostituição infantil. Mas infelizmente, a parte que ironicamente mais parecia conversa de bar. Isto até foi divulgado na mídia internacional.

A saia curta – a aparente irónica invasão do “governo paralelo” ao Governo oficial – provocam bastante refleção sobre o exercício de poder aqui. Não sou uma pessoa para promover auto-censura, mas os barrigudos do mundo (incluo eu mesmo no sentido metafórico) temos saber medir as nossas palavras ou saber quando calar-nos.

Nem sempre a nossa palavra vale. Temos de seriamente pensar em como ocupamos espaços públicos. Eu fico bastante irritada, no meu emprego atual, com o protagonismo do “técnico”, do “formado”… É um protagonismo instintual, não é que pensam explicitamente em ocupar o espaço dos outros. Mas estes acabam de facto sufocando vozes mais baixas. Quando estou a sentir menos generosa, interpreto isso como egoismo.

Não sei porque, mas penso das crianças a fugir da escola primária que vi durante vários dias. Um dia vi menino a escalar e subir por cima do portão de trás da escola. O segundo dia, dois meninos a tentar passar por baixo do portão, a esfregar a barriga na poeira vermelha de Lichinga – a subir vitoriosos, um sorridente a dizer “Conseguimos”. Para mim talvez estas crianças representam o oposto deste egoismo barrigudo.

(Outra coisa que representa isso vai ser a festa da Mini Saia, que dizem vai acontecer hoje a noite.)