A volta a pé, por volta das 19h, é deliciosa. As ruas de Polana não estão completamente vazias, mas há menos trânsito. Menos pessoas. É hora dos morcegos e dos grilos. Os môrcegos, invisíveis e omnipresentes, acompanham os meus passos com  chiados leves, que lembram de andar em neve nova. Os grilos enchem a noite em certos lugares com seu coro potente.

Há menos gente em certas partes de Polana do que no centro de Lichinga.

Em Lichinga, nas primeiras pré-madrugadas, eu acordava com a chamada a reza. Depois meu corpo aprendia dormir até o amanecer.

Aqui em Maputo, tem sido bastante diferente, mesmo que os ritmos da cidade estejam semelhantes. Quem quiser andar à vontade, para respirar ar e esticar as pernas antes do dia começar, tem de fazé-lo super cedo, antes que as entradas e calçadas já enchem.

Num prédio de 10 andares – e com acesso a internet, que facilita distracção sem limites – mantenho o mesmo horário de Londres, acordo às 7h. Horário em que já não vale a pena tentar a andar, já é hora de ponta. Inalar montes de diesel, incomodar as pessoas a tentar chegar ao trabalho.

Estou a tentar lentamente fazer um rewind de horário e acordar mais cedo.

Hoje consegui andar às 6h na chuva miudinha. Cruzei com os pavões do Presidente. Uma paz nas estradas, uma luz prateada e sonolenta. A cidade ainda estava a acordar.