[Perdoem a minha tradução péssima do original em inglês]

Tem sido uma irritação minha há tempos: a preguiça das mídias internacionais em relação à torre de babel (pós)colonial. Artigos em inglês sobre “África” sofrem do olhar “África é um país”, mas eu iria ainda mais longe, é o olhar “África é um país anglófono“.

A cena de TICs e tecnologia também é culpado com isso! (Irónico até porque, pensa-se que a linguagem do código derrubava barreiras.) Estamos sempre a ouvir de projectos maravilhosos de Nairobi, Capetown, Kampala, Accra, mas ouve-se muito pouco de projectos menorzinhos na RDC, Cameroon ou Moçambique. (O que acontece nestes países é inevitavelmente menor devido a diferenças históricas e estruturais.) Fiquei entusiasmada com a iniciativa de mapear os hubs (núcleos) de tecnologia em África – mas falta fazer muito mais para destacar e alimentar inovação nestas escalas pequenas.

O post recente da CNN sobre “Top 10 African Tech Leaders” parece ter provocado uma reacção pelo menos. Pode ser que aqueles que queiram “top 10” não tenham tempo para ouvir sobre coisas a surgir em lugares inesperados, mas o post de Jean Patrick Ehouman a catalogar líderes da tecnologia francófona é mais que necessário.

Não sou tão boa em francês, mas posso ler e tenho aprendido bastante do @Fasokan @JulieOwono entre outros. No campo das TICs, muitos twitam em inglês mais que francês. (Pensando bem, aonde cabem o pessoal de Ruanda e Cameroon nestas listas, como ambos têm camadas grandes a twitar em inglês?)

O mesmo podia ser dito da cena lusófona – muito conteúdo em inglês.

Acontece que a minha lista é exclusivamente moçambicana (ganda sorpresa) mas tenho tentado destacar as lacunas. Tal como sugere o Jean Patrick Ehouman, vamos começar um thread no comentários aqui em baixo, para criar uma lista dos melhores tweets.

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Angola (população pequena, rico)

A ala de Google de outreach em África esteve em Luanda o ano passado, mas nenhum único tweet com o tag #gangola sobreviveu. Nunca vi tanta actividade de tecnologia no Twitter de Angola, a pesar do país possuir vários negócios relacionados com as TICs. A constada falta de twits de tecnologia diz-me que presença no Twitter não diz respeito aos mercados e nem capital financeiro. (Por favor, deixem seus top tweets no comentários em baixo!)

Cabo Verde (população mini)

Bastante ausente no Twitter. Cabo Verde foi o único país lusófono a ter um projecto seleccionado pelo concurso de TICs Creatic4Africa, foi um académico chamado Simão Paulo Rodrigues Varela. Mas não está no Twitter e nem sequer achei um blog. Pena.

Guiné-Bissau (população mini)

Enquanto não presente no Twitter, o projecto baseado na Guiné Rising Voices “Netos de Bandim” merece uma vista de olhos. As últimas novas foram que sofreu com inchentes, deslizamento de terras, enfim uma bolsa micro chega para pouco. Twitter não é prioridade quando subir fotos e postar custa tanto.

Moçambique (população pequena)

@Echaras – Erik Charas, fundador do jornal @VerdadeMz – a fazer coisas incríveis com mídia social e telemóveis. Twita principalmente em inglês.

Evangelista-Linux Maputense e criador de comunidade Celso Timana parece ter deixado Twitter recentemente (anteriormente @ctimana) – uma grande perda. Seu centro de formação @Cenfoss é porta-bandeira de opensource em Moçambique.

@_Mwaa_ Trabalha de dia num ministério relacionado a TICs mas twita em inglês e português sobre todo tipo de tema do sul de África. 

São Tomé and Príncipe (micropopulação)

Os únicos tweets destas ilhas parecem ser relacionados ao turismo.

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Esta lista parece colocar a questão: como pode crescer o Twitter na cena das TICs em África? Se não com geeks/cromos, como pode crescer o Twitter?

Eu questionaria até que ponto alguns países têm a figura do “intelectual orgânico” além de, digamos poetas, escritores e talvez uns professores universitários muito ‘secos’ (que são propriamente secas). Muitas vezes, nem ocurre a pessoas viradas a tecnologia e afins que poderiam abrir um espaço, no Twitter por exemplo.

Eu gostaria de sugerir que temos que considerar aonde as artes – especialmente hiphop – fundam-se com a tecnologia, porque os melhores twits de Angola e Moçambique são sobre música urbana, moda, artes e protesto. Em vez de twitar sobre tecnologia, estes estão simplesmente a apropriar-se dos meios tecnológicos, e assim fazendo, inovando. Pelo bem ou pelo mal, é a cena de indústrias criativas emergente nestes países tem mais hipótese de ser ouvida no palco mundial.

Comentem, por favor, neste post, não passa duma tentiva de iniciar uma conversa, nada mais duma perspectiva subjectiva de fora.